quarta-feira, 5 de junho de 2013

Trabalhador da BRF despenca de elevador e morre em Concórdia

Peça de aproximadamente 200 quilos atingiu cabeça do funcionário na tarde desta terça-feira
Um trabalhador da unidade da BRF de Concórdia morreu de forma trágica por volta das 15h15 desta terça-feira, dia 4. Ele caiu de um elevador na fábrica de ração. Uma polia que prendia o equipamento se desprendeu. O elevador caiu no fosso e a polia com cerca de 200 quilos atingiu a cabeça do funcionário

De acordo com as informações, Jandir Brandão, de 39 anos, foi encontrado por colegas de trabalho. Ele estava dentro do elevador que teve um problema mecânico e desprendeu da base de sustentação que fica no último andar da fábrica. 

O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ao chegar no local já encontrou a vítima sem os sinais vitais. Informações ainda não oficiais dão conta de que o elevador estaria entre o terceiro e quarto andar quando ocorreu o incidente. 

O Instituto Médico Legal e o IGP estão realizando os levantamentos na fábrica de ração para apurar como o acidente ocorreu.

http://www.oestemais.com.br/arquivos_internos/index.php?abrir=noticias&acao=conteudo&cat=27&id=3161

terça-feira, 4 de junho de 2013

Acidente de trabalho mata vereador de Treze Tílias

Um acidente de trabalho em Treze Tílias na manhã desta segunda-feira, 03, acabou com a morte do vereador Paulo Falchetti(PSD), de 39 anos. O acidente aconteceu por volta das 09h quando Paulo trabalhava na colocação de telhas em uma casa próximo ao centro da cidade. A queda de aproximadamente 15 metros causou a morte do vereador.

O Corpo de Bombeiros chegou a atender a vítima no local, mas o vereador morreu antes de chegar ao hospital na ambulância de resgate. Segundo alguns colegas de trabalho, o acidente aconteceu por que Falchetti teria escorregado na manta térmica da cobertura do local onde trabalhava. 

Paulo Falchetti era líder do governo na câmara de Treze Tílias e mantinha uma empresa que montava os telhados típicos nas casa do município. ele era casado e tinha um filho menor. Antes de se tornar vereador Paulo trabalhou por muito tempo na Áustria. 

http://www.ederluiz.com/arquivos_internos/index.php?abrir=noticias&acao=conteudo&cat=13&id=9357

Expostos ao perigo

Falta de fiscalização e de investimento das empresas em medidas de prevenção contribuem para o aumento do número de acidentes de trabalho.

Todos os anos, ocorrem 317 milhões de acidentes de trabalho no mundo e mais de 2,3 milhões de pessoas morrem, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Nehuma ocupação, mesmo aquelas que não envolvem situações de risco — como as que exigem trabalhar em altura ou com elementos químicos — pode deixar de seguir padrões de segurança. Mas será que empresas e trabalhadores brasileiros colaboram para evitar tragédias?O consultor da OIT no Brasil Zuher Handar acredita que não. “Infelizmente, por mais que tenhamos melhorado, ainda persiste um quadro de muitas mortes, acidentes e doenças que vêm acometendo a saúde das pessoas”, afirma. O levantamento mais recente do Ministério da Previdência Social, feito em 2011, registrou 711.164 acidentes ocupacionais no Brasil. Ao todo, essas ocorrências resultaram em 2.884 mortes (veja o quadro).

O operário Emerson deixou cair uma lajota de 180 kg sobre um dos dedos da mão: um mês afastado do trabalho (camila Garcia Brunca)
O baiano Emerson Nunes Landim, 31 anos, foi vítima de um imprevisto no trabalho de soldador, eletricista e pedreiro. O operário fraturou um dos dedos da mão depois de deixar cair uma lajota de 180 kg. “Fica difícil correr atrás do benefício. Tive que tirar dinheiro do meu bolso sem ter a certeza de que ia conseguir”, diz. Agora, com o auxílio da Previdência Social garantido, Emerson deve retornar ao trabalho a partir de 20 de junho, caso esteja totalmente recuperado. Um incidente parecido ocorreu com a técnica em laboratório Maria de Jesus Simões, 46 anos. Enquanto ela fazia o desgaste de uma peça de acrílico no laboratório ortodôntico em que trabalhava, um pedaço do objeto se desprendeu e atingiu um dos olhos dela. O oftalmologista constatou lesão na córnea e recomendou três dias de repouso à funcionária.
Notificação

Episódios momentâneos, como os que aconteceram com Maria de Jesus e Emerson, representam quase todos os acidentes de trabalho registrados. Para Handar, o número deve ser ainda maior do que o oficial, pois a informalidade é um obstáculo. “Fica muito difícil saber se os números representam a realidade, porque temos muitos trabalhadores na economia informal”, afirma Zuher Handar.

O presidente da comissão de políticas de relações trabalhistas do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Izidio Santos, também acredita que esse seja um entrave para a obtenção de dados mais completos sobre acidentes de trabalho. “Um caso em uma obra irregular, como um puxadinho, não é informado”, exemplifica. No entanto, Santos defende que a falta de notificação não aconteça por má fé das empresas. “Não há como o acidente não ser documentado quando uma construção é formalizada. Existem trâmites burocráticos que acontecem sempre que alguém se acidenta, com morte ou não.”
Áreas preocupantes

Quem trabalha nas alturas ou nas estradas do país corre mais risco de morrer por acidente na profissão. Os dados do Ministério da Previdência Social mostram que 355 profissionais de transporte de carga e 177 trabalhadores da construção de edifícios morreram por consequência do emprego. Jefferson de Almeida, 24 anos, se feriu numa queda da obra do novo Mané Garrincha. “Era a última viga que faltava para concluirmos o expediente. O problema era que o trava-queda estava preso ao cabo de aço, e tudo desabou”, relembra. Ele teve uma lesão na perna e passou por cirurgias que o deixaram sem trabalha até hoje. Para Jefferson, tudo poderia ter sido evitado. “A gente não sabia que as vigas deviam ser preenchidas com concreto de fase em fase. Achávamos que era tudo muito seguro”, conta.

Outro acidente em construções no DF acabou em tragédia. Doci Alves de Oliveira, 58 anos, morreu em 30 de abril quando o andaime da obra em que trabalhava, no Setor Noroeste, desabou. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICMB), Doci foi a primeira vítima a morrer em obras na região do Distrito Federal e Entorno neste ano. Em 2012, 16 morreram. Para João Barbosa, um dos diretores do sindicato, as empresas investem menos do que deveriam na segurança do funcionário. “Elas só estão interessadas em ver a obra pronta, o mais rápido possível e gastando o mínimo”, afirma. Ele considera que os gastos com tecnologia poderiam favorecer não só a rapidez e a economia da obra, como também as medidas para preservar o trabalhador. “Quase sempre esses acidentes acontecem por falta de planejamento e de responsabilidade administrativa”, acusa.

Izídio Santos, do Sinduscon, rebate as afirmações de Barbosa e diz que todas as empresas são obrigadas a seguir normas reguladas pelo Ministério do Trabalho. “É claro que acidente nunca é bom, mas temos que considerar que Brasília é o maior canteiro de obras da América Latina. Em uma década, o número de trabalhadores da construção civil pulou de 30 mil para 85 mil”, coloca. Para Santos, apesar de tragédias na construção serem evitáveis, a culpa nunca deve recair sobre apenas uma das partes. “Tanto a companhia quanto o empregado têm responsabilidade. Os desastres sempre acontecem por uma série de fatores — e ninguém quer que eles aconteçam.”
A falta de fiscalização também é apontada como uma das causas dos perigos nos canteiros de obras pelo desembargador Brazilino Ramos, do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. Ao todo, são apenas oito auditores fiscais no DF e não há previsão de concurso público para a carreira. “Temos um problema de sucateamento dos órgãos fiscalizadores”, afirma.


Responsabilidade das organizações

Normas internas e legislações trabalhistas estabelecem parâmetros para garantir a segurança no ambiente de trabalho. Entretanto, políticas da empresa são o que evitam, em efeitos práticos, que acidentes sérios aconteçam. “Quando se trata de segurança do trabalho, qualquer medida não representa mais que a obrigação de todo empregador”, afirma João Roberto Boccato, professor de segurança do trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O especialista explica que cada empresa deve se esforçar para treinar todos os funcionários. “Uma vez que o treinamento é feito, o profissional deve assinar uma lista em que garante o conhecimento das normas. Caso não as cumpra, ele pode ser advertido, suspenso ou até demitido por justa causa”, afirma.

Com a equipe treinada, é importante que a empresa faça fiscalizações diárias com uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), eleita pelos funcionários ou com especialistas de saúde no trabalho contratados pela companhia, como médicos e enfermeiros. “Eles devem checar todos os dias se as normas de segurança vêm sendo cumpridas”, destaca Boccato. Equipamentos de proteção devem estar sempre em bom estado e é interessante que haja sinalização de alerta em pontos de riscos.

Prevenir os acidentes pode trazer outras vantagens, além de maior segurança. “Mostrar-se engajada no investimento em medidas preventivas é bom para a imagem da empresa no mercado”, afirma o desembargador Brazilino Ramos. Segundo Boccato, as organizações brasileiras ainda engatinham na cultura da prevenção de acidentes, mais presente em países desenvolvidos. Para ele, a solução começa ainda na escola. “Poderíamos reverter esse quadro de altos índices de acidentes se ensinássemos as crianças desde o ensino básico  sobre prevenção em saúde e segurança do trabalho”, propõe.

A longo prazo, deixar de investir em segurança não significa redução de custos. A chefia deve ter consciência de que a falta de cuidado com a saúde do trabalhador pode gerar ainda mais custos não só para a companhia, que deverá arcar com indenizações no caso de um acidente, mas também aos cofres públicos. Só em 2011 foram gastos R$ 567,5 milhões em auxílio a acidentados, tanto por desastres momentâneos quanto por doenças relacionadas à profissão. No mundo, a falta de prevenção também dá prejuízo: relatório da OIT revela que 4% do PIB mundial, ou seja, US$ 2,8 trilhões, são revertidos para custos diretos ou indiretos por lesões laborais.
A técnica em laboratório Maria de Jesus foi atingida no olho por um pedaço de acrílico e teve lesão na córnea (Monique Renne)http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/ultimasnoticias_geral/33,104,33,90/2013/06/03/tf_carreira_interna,369271/expostos-ao-perigo.shtml

Trabalhador cai de uma altura de três metros durante carregamento de farelo em Marechal Rondon

Maico Alberto Rodrigues da Silva, de 25 anos de idade, resultou com ferimentos.

Uma equipe do Corpo de Bombeiros de Marechal Cândido Rondon foi acionada por volta das 9 horas desta segunda-feira (03), para socorrer Maico Alberto Rodrigues da Silva, de 25 anos de idade, vítima de um acidente de trabalho registrado em uma empresa rondonense.

Segundo as primeiras informações, o rapaz estava trabalhando no carregamento de farelo, sobre uma plataforma, quando teria se desequilibrado e caído de uma altura de três metros.
Ele resultou com ferimentos. Maico foi encaminhado para atendimento médico no Hospital Rondon.

domingo, 2 de junho de 2013

Agnelo diz que igreja destruída por incêndio no DF será restaurada

IMAGINA ESSE ACIDENTE NA HORA DA MISSA....ATÉ QUANDO IREMOS LER NOTICIA DESSA E AS AUTORIDADES SÓ VÃO COMEÇAR A TOMAR PROVIDÊNCIA QUANDO ACONTECER COISA PARECIDA COM A DA BOATE KISS.

Anúncio foi feito durante missa realizada no local, neste domingo (2).
Incêndio, ocorrido em 17 de maio, danificou paredes e o forro do templo.

Paredes da igreja de Santa Rita de Cássia foram atingidas por um incêndio, na tarde desta sexta-feira (17) (Foto: Isabella Melo/G1)
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, afirmou que a igreja de Santa Rita de Cássia, que ficou destruída após um incêndio no último dia 17 de maio, será reconstruída. O anúncio foi feito neste domingo (2), durante visita ao local.
"Nós vamos começar os trabalhos hoje com a limpeza do espaço para a reconstrução", disse Agnelo durante a missa realizada no local. A reforma vai contar com auxílio de empresários da região. Não foi divulgado o custo para a reforma.
O GDF havia informado, logo após o acidente, que iria aguardar o resultado da perícia para definir que tipo de ajuda iria oferecer para a realização da obra. A Polícia Civil realizou a perícia no local no dia 20 de maio. A divulgação do laudo deve ocorrer em duas semanas, de acordo com a corporação.

O incêndio foi contido rapidamente, mas o forro de PVC da paróquia ficou totalmente danificado. Além do forro, as paredes do tempo ficaram danificadas. As chamas não alcançaram a imagem de Santa Rita.
O forro de PVC caiu sobre os bancos da igreja devido ao incêndio  (Foto: Isabella Melo/G1)
Foram necessários 2 mil litros de água para conter o fogo. Mais de vinte bombeiros trabalharam no local. Uma secretária e dois padres estavam no local, mas ninguém se feriu.

Quase ao mesmo tempo, uma banca de jornais em frente à igreja ficou totalmente destruída por outro incêndio. Os bombeiros foram acionados inicialmente para atender essa ocorrência. Segundo o subtenente Elmar Chaves, não é possível afirma que há relação entre os dois casos.
Testemunhas disseram que um curto-circuito no sistema de ar-condicionado pode ter causado as chamas na igreja. O padre Dirceu Rigo estava dentro da igreja no momento que o fogo começou. “A fumaça foi muito intensa, não consegui sair pela frente da igreja, tive que sair pelos fundos", afirmou.

É preciso dar valor às pessoas', diz vítima da boate Kiss ao ter alta no RS

Cristina Peiter teve alta na última quarta-feira (29), em Porto Alegre.
Fantástico acompanhou a saída do hospital e a festa preparada para ela.

Cristina Peiter recebeu alta na quarta-feira (Foto: Reprodução/RBS TV)
Dois dias após a tragédia da boate Kiss ter completado quatro meses, a sobrevivente Cristina Peiter, de 24 anos, pôde enfim voltar para casa, em Casca, na Região Norte do Rio Grande do Sul. O Fantástico acompanhou a saída da jovem do hospital em Porto Alegre, a viagem de 200 quilômetros e a festa preparada para ela por centenas de familiares, amigos e até desconhecidos da cidade na última quarta-feira (29). O incêndio, que ocorreu no dia 27 de janeiro em Santa Maria, causou a morte de 242 pessoas. Duas pessoas seguem internadas na capital.
Além das marcas na pele, Cristina leva consigo uma lição: a de valorizar a vida. “A gente precisa passar por isso para aprender a dar valor às coisas e às pessoas”, diz. Ela teve 22% do corpo queimado, precisou fazer enxertos de pele e ficou entre a vida e a morte durante 25 dias na UTI. Durante um mês, respirou com a ajuda de aparelhos, como mostra a reportagem do Fantástico deste domingo (2).
Cristina deve continuar o tratamento das queimaduras por pelo menos cinco anos, mas agora o drama acabou. A jovem quer concluir o curso de engenharia florestal e seguir a mesma carreira do pai. Já pensa até nos preparativos para a formatura, marcada para agosto.
“Vai ter que ser um vestido todo fechado porque eu pretendo esconder todas as minhas manchas da pele, mas nem por isso precisa ser um vestido feio. Quero que o estilista me ajude, que tenha alguma ideia bem legal”, diz a jovem, com alegria.
Na quarta-feira, além de Cristina, o jovem Marcos Belinazzo Tomazetti também deixou o Hospital de Clínicas. Seguem internados na capital gaúcha Renata Pase Ravanello e Ritchieli Pedroso Lucas. Na última semana, Cristina contou ao G1 como foi sua recuperação ao longo de mais de quatro meses de internação e falou dos planos para o futuro. Ela teve 22% do corpo queimado, entre braços, ombros e costas. “Estou bem. Com um pouco de medo, insegura, mas tranquila”.
Cristina Peiter estuda engenharia florestal (Foto: Arquivo Pessoal)No dia da tragédia, Cristina foi para a festa na Kiss de última hora. Ela estudava na cidade e dividia apartamento com o irmão. Já na casa noturna, encontraram um grupo de amigos. Um deles morreu durante o tumulto. “Vi a saída, mas não consegui chegar. Desmaiei lá dentro. Lembro que acordei fora e comecei a gritar, estava desesperada de dor. Me colocaram em um carro, acho que era da Brigada Militar, e me levaram para o hospital. Fui desacordada", recorda.
Quando a jovem acordou, já estava no hospital. "Estava uma confusão, ninguém sabia o que fazer. Pedi para uma pessoa ajudar a pegar meu celular e liguei para o meu irmão. Quando ele chegou, conseguiu ajuda para mim. Depois disso, só acordei na CTI de Porto Alegre”, lembra
Com cicatrizes e marcas no corpo, a vaidade é um dos temas mais sensíveis para a jovem. “Tenho medo que as pessoas me vejam com pena. Mas não quero que sintam pena de mim, estou bem. O que vai ficar são as marcas, isso não tem como não ficar”, emociona-se. “O que eu mais quero é voltar para casa, ficar com meus pais, aproveitar todo mundo. Tudo vai mudar. São provas que a gente precisa passar”, completa.

Número de mortes em acidente com moto sobe 263,5% em 10 anos

Em 2011, foram 11.268 vítimas fatais no país, segundo Ministério da Saúde.
Frota de motocicletas aumentou 300% entre 2001 e 2011.

O motociclista Marcelo Geraldo César faz tratamento no Hospital das Clínicas, em São Paulo (Foto: Caio Kenji/G1)
Motociclista Marcelo Geraldo César faz tratamento no Hospital das Clínicas, em SP (Foto: Caio Kenji/G1)
O número de mortes em acidentes de trânsito com motos no Brasil aumentou 263,5% em 10 anos, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), criado pelo Ministério da Saúde. Em 2011, foram 11.268 mortes no país, contra 3.100 usuários de motos mortos em 2001. O Ministério da Saúde informa que os dados de 2011 são os mais recentes disponíveis, visto que o processo de registro de óbito é demorado, levando até dois anos para contabilizar todos os casos.O número de mortes em acidentes de trânsito com motos no Brasil aumentou 263,5% em 10 anos, segundo dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), criado pelo Ministério da Saúde. Em 2011, foram 11.268 mortes no país, contra 3.100 usuários de motos mortos em 2001. O Ministério da Saúde informa que os dados de 2011 são os mais recentes disponíveis, visto que o processo de registro de óbito é demorado, levando até dois anos para contabilizar todos os casos.
No mesmo período, a frota brasileira de veículos de duas rodas aumentou 300%, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas e Similares (Abraciclo), com base em números divulgados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A quantidade de motos emplacadas no Brasil saltou de 4.611.301 unidades, em 2001, para 18.442.413, em 2011.
ACIDENTES COM MOTOS NO BRASIL
AnoFrota de motosMortes com motosTotal de mortos no trânsito
20014.611.3013.10030.524
20025.367.7253.74432.753
20036.221.5794.27133.139
20047.123.4765.04235.105
20058.155.1665.97435.994
20069.446.5227.12636.367
200711.158.0178.07837.407
200813.084.0998.89838.237
200914.695.2479.26837.594
201016.500.58910.82540.610
201118.442.41311.26842.425
Fontes: Denatran e Ministério da Saúde
Fator humano
Especialistas ouvidos pelo G1 apontam o despreparo de motociclistas e motoristas de carro como as principais causas de  acidentes, apesar de não haver pesquisas mais precisas sobre seus motivos no Brasil.
"O fator humano está presente em grande parte, além do crescimento rápido da frota. Existe também a falta de habilitação, ignorância sobre regras de segurança, não uso de equipamentos e imprudência associada com falta de políticas de transporte adequadas para o uso da motocicleta no trânsito do país", aponta Júlia Greve, coordenadora do HC em Movimento, um programa de prevenção de acidentes do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
Especialista em fisiatria, atividade que faz o tratamento de pessoas com capacidade funcional limitada, Júlia trabalha no Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do HC, o principal centro público para o tratamento de vítimas de acidentes com motos do Brasil. Segundo os médicos do hospital, a maioria das mortes de motociclistas é motivada por lesões na cabeça. Ao instituto são encaminhadas as vítimas sem ferimentos internos, com foco no tratamento ósseo, muscular e de articulações.
Afastado do trabalho
Usuário de motos há mais de 15 anos, Marcelo Geraldo César, de 46 anos, faz tratamento desde 2011 no HC, após sofrer uma queda. "Estava em uma via de mão dupla quando apareceu um carro com farol de xênon. Com a luz nos olhos não vi nada e acabei batendo em um caminhão que estava estacionado", explica César, que está afastado do trabalho de prensista devido a sequelas do acidente.
Ele diz que buscou na moto uma alternativa para o transporte público falho. "Meu trabalho ficava a 25 km de casa e não tinha como ir de ônibus, pois era muito fora de mão", relata o baiano radicado em São Paulo. "Fazia este percurso há mais de dez anos e nunca aconteceu nada".
Ainda tentando se recuperar de lesão que comprometeu os movimentos da mão direita, ele afirma que não vai deixar de andar de moto. "Quem anda de moto é igual a peão de rodeio: mesmo caindo, não tem como abandoná-la", diz. “Não me arrependo de andar de moto, porque nunca fui imprudente. Não sou de abusar e andar correndo."O médico Marcelo de Rezende trabalha no Hospital das Clínicas (Foto: Caio Kenji/G1)tDe acordo com o Ministério da Saúde, em 2011 houve 155.656 internações por acidentes de trânsito, com custo de R$ 205 milhões. Os acidentes de moto corresponderam a 77.113 delas, totalizando gasto de R$ 96 milhões.
Médico do IOT e também coordenador do HC em Movimento, Marcelo de Rezende afirma que que 44% dos atendimentos no pronto-socorro do HC são de motociclistas.
Segundo ele, o atendimento rápido da vítima é crucial. "Normalmente, o indivíduo chega ao local e fica esperando para fazer o tratamento, pois nem sempre existe um especialista para seu caso. A rapidez no atendimento traz menos infecção, recuperação mais rápida e menor quantidade de sequelas", esclarece Rezende.
Para o médico, o motociclista não vê a situação de risco e 80% dos acidentados dizem que não tiveram culpa. O motoboy Marcelo Tognini, outro que está em tratamento no HC, foge dessa regra: "A culpa foi minha, não vi o carro e bati nele".
Com 10 anos de profissão, Tognini sofreu uma fratura no fêmur após queda com a moto. Este foi seu acidente mais grave, de três que já teve. Apesar da lesão severa, também não pensa em deixar a moto. "A moto fez tudo em minha vida, estava em uma fase ruim que não conseguia emprego. Não quero morrer em cima de uma moto, mas com certeza vou continuar andando", explica.
O médico Rezende também é motociclista, com 29 anos de experiência. "É um transporte mais perigoso, sem dúvida. Quem quiser utilizá-lo tem de fazer uma direção defensiva. São vários conceitos, desde a velocidade que se deve andar até o local".
Perfil dos acidentados
"A maioria dos acidentados vem de uma classe baixa economicamente, tem de 18 a 30 anos e cerca de 50% usa a moto como meio de transporte", diz Rezende, traçando um perfil dos motociclistas atendidos no HC.
Ao divulgar os dados do primeiro trimestre deste ano para os pagamentos do seguro obrigatório (DPVAT), a Seguradora Líder, que administra o serviço, voltou a apontar as motos como primeiras colocadas no ranking nacional, chamando o dado de "preocupante" porque esse tipo de veículo corresponde a apenas 27% da frota brasileira.
Em 2012, as motos já haviam liderado as solicitações do DPVAT no país, com 69% do total, ficando à frente de carros (25%), caminhões (4%) e ônibus (2%).O paciente Raílson Tavares é observado pelo médico Marcelo de Rezende (Foto: Caio Kenji/G1)O Nordeste foi a região com maior quantidade de pagamentos no ano passado, correspondendo a 29% do total, superando Sul (28%) e Sudeste (25%). O crescimento do uso de motocicletas no Nordeste é apontado como fator responsável pela alta de solicitações do DPVAT.
"Cerca de 30% de nossos atendimentos são de fora do estado de São Paulo. Não existem centros como este para tratamento especializado espalhados pelo país", diz o médico Rezende sobre o Instituto de Ortopedia do HC-SP. Raílson Mesquita Tavares, de 30 anos, veio do Amazonas para tratar a mão no local. "Um pedestre bêbado atravessou minha frente e acabei caindo", explica.
Polêmica do corredor
Para a médica Júlia Greve, o deslocamento de motos nos chamados "corredores", o espaço entre entre duas filas de outros veículos, é agravante nos acidentes. "Principalmente na velocidade em que se anda quando os outros veículos também estão em movimento", opina.
De acordo com o Denatran, o artigo que previa a proibição de motos no corredor foi vetado em 1997 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar de não ser ilegal o uso do corredor, o órgão alerta que as motos devem seguir as regras de circulação geral de todos veículos e que deixar de guardar distância de segurança, lateral ou frontal, de outro veículo pode ser interpretado com infração e o usuário pode ser multado, o que, na prática, não se observa nas ruas brasileiras.
"Se o corredor for proibido vai aumentar o número de mortes de motociclistas. Sem mencionar o caos no tráfego urbano", afirma André Garcia, instrutor de pilotagem, advogado e especialista em gestão de trânsito.
"No Brasil, o motociclista é marginalizado pelo próprio estado. Se em países como França, Itália, Espanha a motocicleta é vista como um importante veículo para tornar eficaz a política de mobilidade, o Brasil caminha na contramão", acrescenta.
Na Europa, apesar de algumas vias serem restritas à circulação de motos no corredor, o ato é comum na Itália, França e Espanha. Nos Estados Unidos, onde as leis de trânsito são diferentes em cada estado, o chamado "lane splitting" é permitido apenas na Califórnia. Apesar do endurecimento americano para a circulação nos corredores, muitos estados não obrigam todos os motociclistas a usar capacete.
Reais causas
Em busca de respostas para as causas dos acidentes de motos no Brasil, o Hospital das Clínicas de São Paulo e a Abraciclo trabalham em projeto para analisar os motivos específicos dos acidentes. A pesquisa envolve a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-SP) e as polícias Civil e Militar, com um investimento de R$ 420 mil por parte das fabricantes de motocicletas associadas.
O levantamento é feito em área da Zona Oeste de São Paulo e conta com a participação de funcionários do hospital no momento das internações. De acordo com os fabricantes de motos, a pesquisa está em fase final de apuração e será divulgada até o final do ano.